Casa das Fases apresenta Caixa de Memorias no Fescam

A Casa das Fases apresenta a performance “Caixa de Memórias” dia 4/5, às 10hs e 15hs no Festival de Teatro de Rua – Fescam – em Cambará. A apresentação será na Praça Dr. Miguel Dinizo.

Projeto A Tempestade

Cineasta Luciano Vidigial visita Londrina para filmar o documentário sobre a Casa das Fases

O cineasta Luciano Vidigal (esq) e João Henrique Bernardi durante a apresentação do Projeto A Tempestade na Academia Brasileira de Letras (Rio de Janeiro - novembro 2011)

    O diretor carioca Luciano Vidigal estará em Londrina de 16 a 18 de março para a filmagem do documentário “The Stuff of Time/Tempo tempo Tempestade”. Trata-se de um registro sobre a Casa das Fases, que completa 25 anos em 2012, e a sua “sister company” Entelechy Arts, de Londres. O documentário tem a direção de Vidigal e Adriana Rouanet e produção da Colibri Global. Luciano acaba de retornar da Inglaterra, onde realizou uma palestra em Oxford sobre o longa “Cinco Vezes Favela” e também das filmagens com o grupo Entelechy, no Sul de Londres.

As companhias Casa das Fases e Entelechy apresentam no dia 3 de abril a performance “A Storm in a Tea a Cup” que integra o projeto A Tempestade – onde os dois grupos encenarão uma das últimas peças de W. Shakespeare.  Será uma perfomance para lançar o Brasil-Reino Unido, numa colaboração entre  atores do Entelechy, em Londres e os atores da Casa das Fases, em Londrina. “Artes digitais e chá dançante num redemoinho de som, textura, cinema, teatro e dança”, assim define o diretor David Slater.

Luciano Vidigal e Adriana Rouanet acompanham toda a movimentação dos dois grupos desde o ano passado e registram a integração das companhias, mas acima de tudo as histórias de vida que se entrelaçam com a montagem da peça. As filmagens de 16 a18 de março acontecem na sede da Casa das Fases, em Londrina, que se prepara para a performance “A Storm in a Tea a Cup”.  Luciano e o câmera Arthur Sherman registrarão os bastidores e entrevistarão algumas das atrizes do grupo.


A storm in a tea cup
Tuesday 3 April, 2pm. Tickets £4

A live performance event to launch UK-Brazil collaboration between elders from Entelechy in London and elders from Casa das Fases in Londrina. Digital arts meet tea dance in a swirl of texture, sound, theatre, film and dance.

The Albany
Douglas Way
Deptford
London SE8 4AG

A Storm in a tea cup

Lillian de Luca - Estudos para a personagem Ariel

A Casa das Fases participa no dia 3/4 da performance “A Storm in a Tea Cup”, promovida pela “sister company” Entelechy Arts.

As Cias realizam vários projetos em parceria, que resultarão na montagem da peça “A Tempestade”. Na apresentação do dia 3, serão mostrados alguns estudos de cena criados entre os diretores João Henrique Bernardi e David Slater para o texto de Shakespeare.

As imagens foram produzidas para o cartaz da apresentação que será realizada no “The Albany”, no Sul de Londres.

Maiores informações no site  http://www.entelechyarts.org/

FORUM SHAKESPEARE

ABL, 23 de novembro de 2011

A Academia Brasileira de Letras sente-se honrada com a oportunidade de reunir três grupos teatrais, de dois países – o Brasil e o Reino Unido – e de três cidades – Rio, Londrina e Londres – pertencendo a distintas faixas etárias, e oriundos de vários meios sociais.

Começando pelo grupo geograficamente mais próximo, Nós do Morro, recordo que ele foi fundado em 1986, com o objetivo de facilitar o acesso à arte e à cultura por parte de crianças, adolescentes e jovens adultos do morro do Vidigal, no Rio de Janeiro. Hoje o projeto se consolidou e oferece cursos de formação nas áreas de teatro (atores e técnicos) e cinema (roteiristas, diretores e técnicos). O Nós do morro é fruto da iniciativa do ator e jornalista Guti Fraga, aqui presente . A propósito, a ABL congratula-se, como o Brasil inteiro, com a ação recente que levou à reconquista do seu território por parte do povo do Vidigal, agora livre para desenvolver sua criatividade sem qualquer restrição, em Nós do morro ou em entidades semelhantes.

Vem, em segundo lugar, o grupo composto de atores e atrizes da Companhia de Theatro Casa das Fases, fundada em1986 por Joâo Henrique Bernardi, na cidade de Londrina. Realiza atividades teatrais no campo da pesquisa e da atuação. O elenco é formado em sua maioria por mulheres de mais de 60 anos. João Henrique também está entre nós hoje.

Em terceiro e último lugar, assinale-se um grupo baseado em Londres, sob os auspícios da Entelechy Arts, fundado há 21 anos por David Slater, também nesta sala. Um dos objetivos da organização é criar pontes entre comunidades paralelas que normalmente não se interligariam, estabelecendo elos entre jovens e idoso. Em 2000 foi criada, dentro da Entelechy, a companhia de teatro Seven Ages, com integrantes de 60 a 100 anos.

Comum aos três grupos é o interesse por Shakespeare. Nós do morro encenou Os dois cavalheiros de Verona em 2006, em Stratford-upon Avon, e depois fez sucesso no Brasil. A Companhia de Theatro Fase 3, de Londrina, juntamente com sua contrapartida inglesa, a Entelechy, levará à cena, nos dois países, A tempestade. Pela primeira vez os dois grupos se apresentarão juntos.

É que a universalidade da obra de Shakespeare faz dele um instrumento perfeito para promover a inclusão social e a integração entre os povos, além de todas as barreiras de idade, classe e nacionalidade. Grande anatomista da natureza humana, Shakespeare descobriu atrás da diversidade das condições de vida uma estrutura passional idêntica em todos os homens. “All the world ´s a stage/ and all the men and women merely players”. Shakespeare não era apenas um autor para a elite, mas imensamente popular na Inglaterra elisabetana, e continua sendo popular hoje no Vidigal. Ninguém entendeu melhor que Shakespeare a relatividade do envelhecimento. Ele não pinta sob uma luz muito lisonjeira os males da sétima idade do homem, em As you like it, mas na mesma peça um personagem se gaba de sua robustez, apesar de sua aparência envelhecida: “Though I look old, I am strong and lusty.. Therefore my age is as a lusty winter.” Nossas queridas convidadas de Londres e de Londrina certamente se enquadram nessa categoria. Os atores e atrizes dessa Tempestade não são verdadeiramente velhos; são Prósperos e Mirandas reconciliados com seus corpos frágeis, prontos para explorar novos começos e novas amizades.

Podemos ter hoje uma visão antecipada do que será essa fusão de idades, classes e nacionalidades nas “master classes” ministradas por Justin Audibert, da Royal Shakespearean Company, e também por Cicely Berry, grande dama do teatro inglês, também da RSC. Ela orientou astros e estrelas como Peter Finch, Sean Connery e Anna Bancroft, e foi diretora de voz do filme “O último imperador”, de Bertolucci, tendo recebido inúmeros prêmios, incluindo uma Order of the British Empire. Essa visão se aprofundará na mesa redonda coordenada por Paul Heritage, da Queen Mary University. Ele vem encenando espetáculos de teatro e promovendo parcerias entre grupos teatrais no Brasil e no Reino Unido há mais de 20 anos. É o principal responsável pela ida de Nós do morro a Stratford-upon-Avon. Em 2004, recebeu a Ordem do Rio Branco por sua divulgação da cultura brasileira no exterior.

Em nome da Academia Brasileira de Letras, cujo primeiro presidente, Machado de Assis, foi um grande leitor de Shakespeare, construindo tipos tão melancólicos como Hamlet e tão ciumentos como Othelo, dou as boas vindas a todos os nossos convidados.  

* texto de abertura do Forum Shakespeare escrito por Sérgio Paulo Rouanet

Vidigal: Shakespeare, Sex and Sonnets.

We’re in a rehearsal space in Nós do Morro , high on the slope of the Vidigal favela with Ipanema beach and one of the greatest views in Rio stretched out beneath us. Outside a blazing afternoon sun; inside six older women weaving in and out of each other, chanting from photocopied scraps of text:

The expense of spirit in a waste of shame

Is lust in action; and till in action, lust…

They move around the room changing direction at each point of punctuation:

Is perjur’d, murderous, bloody, full of blame,

Savage, extreme, rude, cruel, not to trust;

They are tracked by the hawk-eyed gaze of their teacher, Royal Shakespeare Company’s Voice Director Cicely Berry. “In the beginning it was absurd. After, in my head there was a kind of Tempest”, said Lillian, one of the Brazilian actresses reflecting on the experience. “While she (Cicely Berry) was explaining I began to get the idea and I liked it. I liked it because of the feelings of love, of hate and anger and affection and everything that I feel. It plays with our heart and we fell in love with him, with Shakespeare.”

In such a short space of time Cicely enables the older performers to physically experience the emotional landscape of the language of the sonnets; the energy and drive of the thought. The experience transcends time. Here in this space Shakespeare is literally seducing these Brazilian women:

Being your slave, what should I do but tend

Upon the hours and times of your desire?

Carmen, another older member of the company, said that as a lover and a wife the language brought back the full emotions of sex, of being together with her husband before he died. “In the class it was”, she said, “like my spirit had left my body and was walking down a long corridor with doors on either side, opening all of the doors. And behind each door was a new word of Shakespeare.”

It’s an auspicious start to the opening weeks of our shared Tempest project with Casa das Fases. This phase made possible with the support of People’s Palace Projects and the British Council. The workshops were part of a much wider programme Forum Shakespeare bringing together teachers and directors from the Royal Shakespeare Company to celebrate the twenty fifth anniversary of Nós do Morro. The event culminated with a public master class led by Cicely Berry and RSC director Justin Audibert held in the auditorium of the Brazilian Academy of Letters.  Casa das Fases and Entelechy showed a short film about the initial stages of our work in the Tempest Project and two of the Brazilian elders spoke passionately of their first encounter with the sonnets.

http://davidaslater.wordpress.com/2011/11/30/vidigal-shakespeare-sex-and-sonnets/