O grupo vem de longe, muito longe. Nasceu no Sesc de Londrina, em 1986, como um projeto de pessoas idosas que queriam fazer teatro. O que ninguém esperava é que estes senhores e senhoras atravessariam o tempo, atingindo a maioridade artística com a garra da eterna juventude. Na sua bagagem trazem 24 montagens apresentadas em salas de espetáculos, casarões históricos e nas ruas. Uma história bonita que parece renda de bilro em que cada ponto é…memória.
A trajetória da Cia de Theatro Fase 3, dirigida por João Henrique Bernardi, é assim: uma história que em novembro de 2008 completa 22 anos , deixando para trás um rastro de criatividade, rabo de foguete, brilho de estrela matutina. Não é pouca coisa, tendo em vista a qualidade dos espetáculos que já foram apresentados em Londrina, circularam pelo Brasil e chegaram a outros países.
A primeira montagem, de 1986, foi O Idoso Vai à Luta. E que luta! Feita de cenários e figurinos, textos e interpretações, coxias e palcos. História feita de emoção que se transmuta em arte. Depois vieram outros desafios. Em 1994, o grupo participou de um projeto de inserção cultural do Festival Internacional de Londrina (FILO), onde volta a se apresentar este ano com o espetáculo-relicário Para Dores Femininas, composto de fragmentos de memórias das atrizes que dão corpo e alma às personagens.
No terreno fértil da Cia de Theatro Fase 3 brotam pesquisas, montagens, oficinas, apresentações e circulação de espetáculos sem fronteiras. Em 1999, o grupo foi convidado pelo governo alemão para participar do festival It’s My Life, na cidade de Colônia, e fez bonito. Com o espetáculo Zona Paraíso – montado em 1994 para celebrar os 60 anos de Londrina – a companhia foi destaque na mídia alemã, mostrando uma sólida atuação e levando para um novo público a cultura brasileira. Depois vieram outros espetáculos: Antígona e Vingança (2000); O Banquete (2001); Histórias de Maio e Caixas de Memórias (2002); Verás Que Tudo é Mentira (2003); As Mulheres de Seo Gegê e Orgonizador Paduhélio (2004); As Velhas Loucas e A Última Carta – Amor do Século XX (2005). Em 2006, o grupo recebeu o Prêmio Myriam Muniz, em comemoração aos seus 20 anos de atuação e celebrou com a montagem de “Ave Maria Abençoe as Velhas Loucas Pois Tu o És Também, que foi visto por um público de cerca de 2 mil pessoas.
Além dos espetáculos, a companhia mantém um repertório de ações contínuas que incluem as oficinas – ministradas pelo grupo e que semearam projetos teatrais em outras cidades do Brasil – e a criação de vídeos que registram experiências cênicas e também funcionam como resgate de memória das comunidades onde são desenvolvidos estes trabalhos. Além de Londrina, outras cidades do Paraná e de outros estados já foram contempladas com este projeto de extensão da Cia de Theatro Fase 3 que, desde 2006, integra o Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, irradiando experiências audiovisuais, cênicas e de webrádio.
Desde 2002, com patrocínio do PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura – o grupo também desenvolve ações culturais na periferia de Londrina, promovendo uma descentralização da arte ao realizar oficinas de teatro e vídeo, montagens e performances.
Com uma bagagem que inclui metros de rendas e fitas a embalar delicadas memórias, a Cia de Theatro Fase 3 e, por extensão, a Casa das Fases – Ponto de Cultura, vem ampliando seu repertório em atuações ininterruptas que mostram a jovialidade dos atores que têm mais de 60 anos. A magia do grupo consiste em colocar o passado no presente, criando uma ampulheta imaginária que ludibria o tempo. Fica para trás um rastro de criatividade, rabo de foguete, brilho de estrela matutina…
Célia Musilli, escritora
http://sensivelldesafio.zip.net

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