A memória na criação cênica

 Professora e diretora de teatro Thais D’Abronzo lança livro-catálogo sobre a Cia Fase 3

 

                                                                        

Os prêmios se acumulam na trajetória da Cia. Fase 3, grupo londrinense fundado a partir de oficinas para idosos realizadas no Sesc. Mas se o prestígio conquistado em mais de duas décadas chamou a atenção de profissionais das mais diversas áreas – atraídos invariavelmente por um suposto projeto social de amparo à terceira idade – não há vestígios de que tenha despertado a mesma curiosidade em seu próprio metiêr.

”A impressão que tenho que é que as pessoas procuram o grupo não por causa do teatro, mas por outros motivos. Li muita coisa escrita sobre eles e nunca encontrei nada sobre seu processos de criação. Vi textos de geriatras, psicólogos e historiadores. Isso é espantoso porque o trabalho de construção de suas montagens revela um modo de experimentação criativa da linguagem teatral. Há uma poética desenvolvida ali, uma vitalidade, um domínio de gestualidade em cena e de compreensão da ação impressionantes”, afirma a diretora e professora de teatro Thais D’Abronzo, que está lançando um livro-catálogo sobre a companhia feminina dirigida por João Henrique Bernardi.

Thais acompanhou ensaios, oficinas e conversou exaustivamente com o diretor e as atrizes durante 1 ano de visitas à Casa das Fases, sede da companhia. A publicação de 20 páginas consiste de um ensaio ilustrado com fotos e é resultado de um projeto intitulado ”A Casa das Fases e o Espaço da Memória: a Poética Cênica da Cia. de Theatro Fase 3”, que foi contemplado pela Funarte com o prêmio ”Interações Estéticas em Pontos de Cultura”.

Como anuncia o título da pesquisa, o ensaio investiga a relação entre o papel da memória e a construção dramatúrgica, a partir do processo de criação da Cia Fase 3. A sede do grupo, que atualmente passa por reformas, mereceu vários parágrafos da autora. ”A Casa das Fases guarda rastros da trajetória do grupo, mas também remete a outras casas que já vimos. A sensação de minha primeira visita era de familiaridade e ao mesmo tempo de estranhamento. Vi uma vitrola, espelhos, fotografias envelhecidas, relógios parados, objetos cenográficos, vidros de perfume vazios, uma manequim e até uma janela antiga da Casa dos Anões. Ela construiu-se como um espaço que preserva as marcas temporais de objetos e histórias. Uma espécie de assinatura da passagem do tempo”, salienta.

O espetáculo ”Londrina Zona Paraíso”, montado em 1994, também é apresentado no estudo como exemplo da utilização da memória na criação cênica ao contar a história do município através de depoimentos de costureiras (algumas do próprio elenco). O mesmo ocorre com a peça ”Para Dores Femininas”, de 2007, encenada dentro de uma caixa preta onde apenas um espectador é convidado a assistir as perfomances que duram cerca de 4 minutos.

De acordo com a autora, o livro-catálogo foi concebido pelo designer Alexandre Makiolke como uma tentativa de refletir as características encontradas na Casa e no trabalho do grupo. ”É um livro-objeto que traz texturas, páginas escondidas e de tamanhos diferentes, um jogo de esconde-e-mostra. O formato exige um tempo para a descoberta de sua lógica de funcionamento. Tem gente que pega e vai desmontando inteiro”, diz.

A publicação será distribuída em pontos de cultura do Paraná, fundações culturais e espaços voltados para atividades teatrais. Posteriormente receberá uma versão on-line num blog que está em construção.

Nelson Sato
Reportagem Local

fonte: www.folhadelondrina.com.br em 24/12/2009

 

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