Teatro londrinense na Virada Cultural


Casa das Fases conta a experiência de apresentar o espetáculo Black Box por oito horas no centro de São Paulo

Fábio Luporini/JL

O sol ainda não havia aparecido quando um grupo de senhoras atrizes já despertava para a maratona do sábado. Carmem Mattos (79 anos), Jandira Testa (75), Benedita Coutinho (66), e Emília Felcar (61), embarcaram numa van rumo a São Paulo, junto com o produtor Fabrício Borges, o diretor Rique Bernardi e a atriz Ella Melo. O destino: a Virada Cultural, na capital paulista, com 952 atrações apresentadas em 214 espaços durante 24 horas, no último fim de semana. O grupo Casa das Fases, de malas nas mãos, desembarcou na Praça do Patriarca, próximo ao viaduto do Chá e ao Teatro Municipal, para apresentar o espetáculo Black Box.

“Fizemos um bate volta. Saímos sábado de madrugada e chegamos lá na hora do almoço. Começamos a apresentar às 20 horas e voltamos na manhã seguinte. Foi cansativo, mas compensador”, conta o produtor Fabrício Borges. Esta foi a terceira vez que o grupo Casa das Fases mostrou o trabalho em São Paulo. A primeira vez foi em 1998, com a peça Londrina Zona Paraíso. Voltaram em 2010, com o espetáculo Igual. “A gente trabalha em São Paulo com a produtora Plataforma Brasil. É ela quem está vendendo nossos espetáculos. Fizeram contato com o pessoal da Virada Cultural e eles nos convidaram”, conta Borges.

O espetáculo Black Box, apresentado das 20 horas do sábado às 5 horas de domingo, em plena praça, já foi visto por centenas de pessoas no interior de São Paulo, no interior do Paraná e também na Dinamarca e na Noruega, recentemente. Ao todo, 348 pessoas participaram da peça, que consiste numa grande caixa onde o público entra, normalmente uma pessoa por vez, para ouvir poemas de Adélia Prado, encenados pelas atrizes. E vem gente de todas as idades. Algumas crianças, vários jovens e muitos adultos, todos curiosos para experimentar a sensação de estar numa caixa. Por vezes, entravam dois ou três espectadores juntos. “Para dar conta”, explica o produtor.

Além da idade, o público é eclético. “Entrava desde uma velhinha até um casal de lésbicas. A gente vê um reconhecimento do trabalho. O espetáculo existe desde 2006”, ressalta Borges. A experiência extrapola ainda os limites do próprio cenário, que é a caixa. Enquanto uma das atrizes encenava os poemas no interior, outras aguardavam fora. “As pessoas vinham para tirar foto, porque as atrizes estavam com figurino”, diz. Os poemas encenados eram Dona Doida, Atávica, Ensinamento e Chorinho Doce.

Carmen Mattos, com 79 anos, diz não ter se importado com o cansaço da viagem. “A gente faz teatro. Foi muito legal [a experiência]”, afirma. Um dos destaques, para ela, foi a receptividade do público. “Gostei muito que jovens de 18 e 19 anos vinham até a gente cumprimentar e dizendo o que achavam. Algumas crianças, de sete anos, pediam para tirar fotos”, lembra. A atriz nem se importou com o fato de ser mais velha que alguns espectadores. “Não me sinto com essa idade. Me sinto muito jovem”, brinca.

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