Teatro para se sentir mais vivo e ativo na terceira idade

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Em Londrina, projeto busca promover a autoestima e o autoconhecimento de idosos por meio da cultura e da socialização

Publicado em 21/05/2014 | ANTONIELE LUCIANO, DA SUCURSAL

Um palco improvisado e exercícios para o corpo e a voz. Esta é a receita que participantes das oficinas teatrais do grupo Casa das Fases – Núcleo de Arte e História com Senhoras e Senhores, de Londrina, adotaram para se sentir mais ativos. Voltada a ações culturais com pessoas com mais de 60 anos, a companhia está promovendo aulas em Centros de Convivência do Idoso (CCIs) da cidade a partir de recursos do Ministério da Cultura (Minc) e uma parceria com a Secretaria Municipal do Idoso.

O grupo venceu recentemente um edital do Prêmio Asas – Cultura Viva, do Minc, e recebeu R$ 80 mil para realizar o projeto. Além da produção teatral, a iniciativa conta com cineclubes e prevê curso de coral, rádio web e curta metragens sobre a história dos participantes. Os ensaios teatrais começaram em março e já reúnem cerca de 50 pessoas de centros de convivência dos Jardins da Luz e Bandeirantes.

A cada oficina, os idosos têm a oportunidade de aprender não só técnicas teatrais, mas, sobretudo, de se socializar. “Tem toda uma integração entre eles, até a hora da fofoca”, comenta o diretor do Casa das Fases, João Henrique Bernardi. Ele diz que, embora o projeto seja novo, já é possível visualizar mudanças positivas entre os alunos. Há desde quem descobriu no teatro uma oportunidade para perder a timidez àqueles que fizeram novos amigos. “É como se despertassem para a vida”, pontua.

Foi aos 79 anos que a professora aposentada Maria Napolitana Gonçalves retomou o prazer de fazer teatro, deixado ainda na juventude, quando ela vivia no interior paulista. Inscreveu-se para as oficinas logo que soube da abertura de vagas. “O teatro é muito bom, dá mais firmeza, desenvoltura. Também conheço muita gente nas oficinas, trocamos receitas”, confidencia.

A colega Carmen Mattos é adepta do teatro há 14 anos e, junto com o Casa das Fases, se apresentou em diversos países ao longo deste período. “Quando comecei, achava que não iria dar certo. Mas fui gostando e hoje isso faz parte da minha vida. Tenho 82 anos e não me sinto com essa idade, me sinto útil para ajudar pessoas, mostrar que a vida é boa em qualquer idade”. Os participantes dos CCIs se preparam para apresentar a primeira peça em outubro, na Semana do Idoso.

Oportunidade

Ações do projeto unem lazer e valorização do idoso

As ações culturais com a terceira idade representam uma oportunidade de lazer, mas também de prevenção. “A espontaneidade, a socialização entre eles, o cuidado com a família, a aparência, tudo é reflexo do trabalho. Isso ajuda na saúde mental e física deles. A proposta é que se ocupem, se alegrem, se sintam pertencentes a um grupo”, define a assistente social da Secretaria Municipal do Idoso de Londrina, Maria Ângela Santini.

Para ela, quando o idoso encontra referência em um grupo, a tendência é de se sentir mais valorizado. Isso segue na contramão do movimento que a própria sociedade costuma fazer em relação à terceira idade. “O idoso tem de ser o primeiro a reagir à ideia de exclusão. O projeto do Casa das Fases vem para quebrar isso”, diz.

A expectativa é de que a iniciativa possa ser estendida mais adiante para outros centros de convivência do idoso (CCIs) de Londrina.

fonte:http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1470272&tit=Teatro-para-se-sentir-mais-vivo-e-ativo-na-terceira-idade

 

Oficina Corpo e Movimento II

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O Ponto de Cultura Casa das Fases abre inscrições para a Oficina Corpo & Movimento II, que tem início no próximo dia 22, às 14 horas, no Centro de Convivência do Idoso do Jardim Bandeirantes, Londrina. O trabalho é direcionado a pessoas com mais de 60 anos,  que desejam conhecer e utilizar as técnicas do teatro para seu desenvolvimento físico e emocional. O primeiro módulo contou com a participação de 24 pessoas. A Oficina foi programada para 15 integrantes, mas devido a procura, novas vagas foram abertas. A Oficina é gratuita e tem o patrocínio do Prêmio Asas II, do Ministério da Cultura e a parceria da Secretaria Municipal do Idoso.

maiores informações (43) 9807.6454

 

Dona Maria se lembra dos tempos de Lampiao

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Fabio Luporini/JL

 

É dos canfundó de Bodocó, como diz a música de Luiz Gonzaga, que vêm as memórias e lembranças, algumas boas outras terríveis, do rei do cangaço, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião. Maria Soares de Jesus tem hoje 78 anos, mas tinha 4 quando morava numa fazenda administrada pelo pai na cidadezinha de Bodocó, no interior de Pernambuco. Por lá, Lampião passava mandando fazer almoço e lavar as roupas, sempre acompanhado por Maria Bonita. A história toda vai virar peça de teatro porque dona Maria participa, desde o início do ano, de uma oficina para idosos, do grupo Casa das Fases.

“Minha mãe, quando casou com meu pai, foi morar numa fazenda em Bodocó, em Pernambuco, onde meu pai foi administrador durante 30 anos”, lembra. Era por lá que o nome de Lampião vez em quando fazia as crianças terem medo, entre elas Maria Soares de Jesus. “Ali o mato era a caatinga. E o Lampião ia se esconder no mato. Quando alguém dizia que ele estava pela caatinga, a gente começava a chorar e a mãe colocava a gente no quarto. O povo não saía de casa, tinha medo dele.”

Oficina ensina técnicas de teatro a idosos

A história de Maria Soares de Jesus está sendo ensaiada para virar uma peça teatral na oficina promovida pelo grupo Casa das Fases. “Somos um ponto de cultura e vencemos o Prêmio Asas do Ministério da Cultura para desenvolver atividades culturais com idosos”, conta Fabrício Borges, produtor cultural. O valor do edital é de R$ 80 mil. O projeto é realizado em dois Centros de Convivência do Idoso, um no Jardim Bandeirantes e outro no Jardim Interlagos. Participam entre 25 e 30 idosos. Serão produzidas ainda outras atividades: uma rádio web, um curso de coral e três curtas com as histórias dos idosos participantes. Há ainda a realização de cineclubes, uma vez por mês. Na semana passada foram 50 pessoas. “Trabalhamos com técnicas teatrais para promover a autoestima. Não é curso para ator, é para quem não tem experiência de teatro”, explica Fabrício. A oficina vai até outubro. A Casa das Fases fica na R. Serra Pelada, 111, Jardim Bandeirantes.

Fonte: http://www.jornaldelondrina.com.br/cultura/conteudo.phtml?id=1466874

Cineclube Casa das Fases – Um caipira em Bariloche

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Amanhã às 14 horas, no Centro de Convivência do Idoso da Zona Leste, a Casa exibe o filme “Um caipira em Bariloche”; produzido em 1973 e dirigido por Mazzaropi. Trata-se da história Polidoro (Mazzaropi), um fazendeiro ingênuo e dono de muitas terras, é persuadido por seu genro e pela filha para vender a fazenda e mudar-se para a cidade. Acaba vendendo-a para um amigo do genro, Agenor, pessoa sem escrúpulos e vigarista, cuja esposa também é vítima de suas negociatas. Por meio de um ardil, Polidoro é levado a viajar para Bariloche em companhia de Nora, enquanto sua fazenda é vendida a terceiros através de um negócio ilícito. Avisado a tempo, Polidoro regressa para desmascarar o genro. 

Serviço:

Cineclube Casa das Fases
dia: 14/5
horário: 14 horas
local: Rua Gabriel Matocanovic, 260 Jardim da Luz.
Patrocínio: Prêmio Asas II – Ministério da Cultura

Cineclube Mazzaropi

 
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O Ponto de Cultura Casa das Fases exibe o filme “Sai da Frente” na próxima quarta-feira (31), às 14 horas, no Centro de Convivência do Idoso do Jardim Bandeirantes.
“Sai da Frente” foi o primeiro de Mazzaropi, realizado em 1952. Nele, um dos astros foi o caminhãozinho Chevrolet batizado de Anastácio. Os dois se envolvem em grandes e ingênuas confusões.

Dia 31/4 
14 horas
Rua Serra Pedra Selada, 111 – Jardim Bandeirantes
Patrocínio: Prêmio Asas II – Ministério da Cultura.

 

Oficina Corpo e Movimento

As Casa das Fases inicia neste dia 20 de março, às 14h, a Oficina de Teatro “Corpo & Movimento” no Centro de Convivência do Idoso, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste). O curso tem a duração de dois meses e será direcionado para pessoas na terceira idade. A oficina integra uma série de atividades que a Casa realizará em parceria com a Secretaria do Idoso de Londrina durante o ano de 2014. O projeto tem o patrocínio do Ministério da Cultura, através do Prêmio Asas II. Restam poucas vagas para o primeiro módulo. As inscrições podem ser realizadas pelo fone (43) 9807.6454.

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Asas para a Casa

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A Casa das Fases inicia os trabalhos de 2014 com boas notícias: recebemos o Prêmio Asas II, do Ministério da Cultura, devido ao nosso Ponto de Cultura que integra o Programa Cultura Viva. Com o recurso do Prêmio, a Casa realizará diversas Oficinas de Teatro, Canto, Vídeo e Rádio em parceria com a Secretaria Municipal do Idoso de Londrina. O cronograma das oficinas, locais e horários serão divulgados em fevereiro no blog www.casadasfases.wordpress.com. Evoé!

Imagem:  atriz Rosa Galindo – Projeto Caixinhas de Memórias.  foto:  Fabricio Borges

YOLANDA CALABOCA NA MOSTRA DE TEATRO CONTEMPORANEO DE MARINGA

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“Yolanda Calaboca”: atravessando as fronteiras entre a lembrança e a imaginação

“Yolanda Calaboca” é um trabalho desenvolvido pelo Cia Casa das Fases – Núcleo de Arte e História com Senhoras e Senhores, de Londrina, que traz à cena um monólogo realizado pela atriz Carmem Mattos, de 82 anos. O espetáculo apresenta ao público um cenário que logo traz à tona seu tema: memória de uma vida vivida. Fechado por uma cortina de tule que era aberta lentamente pela própria atriz que entrava em cena carregando uma mala, o palco revelava uma colcha de renda que formava uma espécie de “casa-cabana” e alguns objetos que remetiam ao tempo passado: uma máquina de costura, um ferro antigo e um ventilador velho. Segundo a Cia, uma pesquisa sobre a velhice e a loucura deu origem ao espetáculo.
Se o monólogo trazia poucas falas, no entanto, o cenário, os gestos e a trilha sonora conduziam o espectador pelos labirintos de uma memória que, não sem perturbação, revelava as perdas de uma vida. Entre elas, um aborto – simbolizado por uma cena em que a personagem retira de dentro da blusa um tecido vermelho – que ainda reverberava vivamente na memória como aquilo que poderia ter sido e não foi. Não só na memória e nem só no pano vermelho, no entanto, estavam as marcas dessa desilusão. O vestido de tule perolado e envelhecido da atriz trazia em sua saia vários bonecos de pano pendurados.  Também a sua mala continha um boneco em tamanho real – como um peso a ser carregado ao longo do percurso. Era este boneco, agora, que, tido como filho, lhe acompanhava na tentativa de prosseguir com uma vida que não mais passível de ser recomeçada, buscava, em cena, reconstruir-se atravessando as fronteiras entre a lembrança e a imaginação.
Um pano colorido com a imagem de Nossa Senhora Aparecida pendurado em um varal e frases que remetiam a religião possibilitavam ao espectador inferir uma espécie de culpa da personagem diante das atitudes cometidas. A cor vermelha do seu batom, do seu esmalte, do pano e do guarda-chuva era presença forte no palco e contrastava vivamente com a palidez e o apagamento do restante do cenário e do figurino, ambos bege perolados. O contraste das cores pareceu enfatizar a vivacidade do tempo passado (ainda presente) no tempo atual, marcado pelo apagamento.
Os elementos dispostos em cena tornavam-se, assim, os responsáveis por comunicar simbolicamente as sensações e os sentimentos que às lembranças – doloridas e chocantes – calavam.  Somam-se a eles as expressões oscilantes e os movimentos da personagem que gargalhava, dançava com seu boneco, fumava um cigarro, abraçava a mala, segurava o guarda-chuva em uma chuva imaginária… A fragmentação das cenas refletia uma subjetividade também fragmentada que compunham verossimilmente o descompasso da loucura. O espetáculo é também uma homenagem a uma das atrizes pioneiras da Cia, Jandira Testa que, a princípio, também fazia parte da montagem e que faleceu no ano passado, mas concretiza-se como uma homenagem à vida e suas dores e, portanto, “à vida, apenas, sem mistificação”, para usar as palavras de Drummond.
Camila Hespanhol Peruchi faz parte do grupo de Crítica Literária Materialista da Universidade Estadual de Maringá.
Fotos: Rafael Saes

fonte: http://mtcontemporaneo.blogspot.com.br/2013/11/yolanda-calaboca-atravessando-as.html?spref=fb 

Casa das Fases abre temporada de ‘Yolanda Calaboca’

 
Divulgação
Uma pesquisa sobre solidão e velhice resultou na montagem do espetáculo “Yolanda Calaboca”, que a Cia Casa das Fases apresenta de hoje ao dia 27 de outubro na sede do grupo na primeira temporada da peça após a estreia na Dinamarca e em junho no Brasil durante o Filo (Festival Internacional de Londrina). 

As sessões serão às sextas e sábados às 20h e aos domingos às 19h, sempre com entrada gratuita. A produção tem 30 minutos de duração e traz um monólogo da atriz Carmen Mattos, 82 anos, que interpreta uma mulher mergulhada em lembranças e memórias – algumas doloridas, algumas chocantes. 

O produtor do grupo, Fabricio Borges, explica que a peça foi concebida para um elenco de duas atrizes. “Originalmente não era um monólogo. Na fase de ensaios, porém, perdemos a Jandira (Testa) e estamos de luto até hoje”, diz ele. A morte da atriz, que atuou durante vários anos na companhia, acabou conferindo um cunho de homenagem ao espetáculo. 

No ano passado, o grupo levou a peça para a Dinamarca como convidado do VII Transit Festival, promovido pelo consagrado Odin Teatret, de Eugenio Borba. A viagem foi viabilizada com recursos do Ministério da Cultura. Já a temporada da peça tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). “Serão 15 apresentações ao todo”, informa Borges. As sessões são para 20 pessoas. 

Serviço:
Espetáculo “Yolanda Calaboca” com a Cia Casa das Fases
Quando – De hoje a 27 de outubro, às sextas e sábados às 20h e aos domingos às 19h
Onde – Casa das Fases (R. Lindóia, 546, Jardim San Remo), em Londrina
Ingressos – Gratuito
Informações e reservas – (43) 3304-8757 e 9807-6454

Nelson Sato
Reportagem Local